Nordeste registra alta taxa de ansiedade e pesquisa aponta relação com educação financeira

A região Nordeste concentra um dos maiores índices de ansiedade do Brasil e apresenta um cenário que reforça a conexão entre saúde financeira e saúde mental. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, que investigou como as dificuldades financeiras influenciam o desenvolvimento de transtornos psicológicos.


O estudo ouviu 1.000 brasileiros previamente diagnosticados por profissionais de saúde com ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout. As entrevistas foram conduzidas presencialmente por psicólogos especializados em pesquisas qualitativas e no atendimento de pessoas com transtornos mentais.


A região Nordeste representou 26,9% da amostra nacional e apresentou indicadores que evidenciam os desafios enfrentados pela população em relação à saúde emocional.


Entre os principais resultados observados na região:

  • 50,6% dos entrevistados apresentam quadro de ansiedade, o segundo maior índice do país;
  • 45,0% convivem com depressão, um dos maiores percentuais registrados entre todas as regiões brasileiras;
  • 34,2% relatam estresse crônico;
  • 22,3% foram diagnosticados com síndrome de Burnout;
  • 29,4% apontam as dificuldades financeiras como principal gatilho para o desenvolvimento dos transtornos mentais.

Embora o Nordeste tenha registrado o menor percentual de entrevistados que identificam as finanças como principal gatilho do adoecimento, os números mostram que a questão financeira continua desempenhando papel relevante na saúde emocional da população.
 

No levantamento nacional, as dificuldades financeiras aparecem como o principal fator associado ao desenvolvimento dos transtornos mentais, superando questões relacionadas ao trabalho, aos relacionamentos, às doenças e ao luto.


Quando questionados sobre o grau de influência das finanças em seu adoecimento emocional:

  • 32,4% afirmaram que os problemas financeiros foram a principal causa entre diversos fatores;
  • 27,1% apontaram as finanças como causa raiz do transtorno;
  • 22,4% disseram que os problemas financeiros foram uma das principais causas.

Na prática, quase 60% dos entrevistados atribuem, de forma exclusiva ou predominante, seu adoecimento mental às dificuldades financeiras.
 

O estudo também revela um cenário de vulnerabilidade econômica que ajuda a compreender essa relação. Entre os participantes da pesquisa:

  • 69,4% enfrentam dificuldades para pagar contas básicas;
  • 61,2% convivem com dívidas;
  • 53,6% afirmam que a renda não é suficiente para atender às necessidades da família;
  • 31,1% apontam o desemprego como um dos principais desafios financeiros.

Segundo Reinaldo Domingos, PhD em Educação do Comportamento Financeiro, presidente da ABEFIN e fundador da DSOP Educação Financeira, os resultados demonstram que a saúde financeira precisa ser incorporada às discussões sobre prevenção e tratamento dos transtornos mentais.
 

“A pesquisa mostra que as dificuldades financeiras exercem um impacto profundo sobre o equilíbrio emocional das pessoas. Quando existe insegurança em relação ao pagamento de contas, ao futuro da família ou à manutenção da própria renda, cria-se um ambiente permanente de preocupação e estresse. Isso afeta diretamente a saúde mental e reforça a necessidade de olhar para a educação financeira como uma ferramenta de promoção da qualidade de vida”, afirma.


Os impactos das dificuldades financeiras também se refletem em diversas áreas da vida dos entrevistados:

  • 64,9% tiveram prejuízos no lazer;
  • 61,9% relataram piora no humor;
  • 60,1% registraram problemas nas relações familiares;
  • 56,1% sofreram alterações na qualidade do sono;
  • 42,8% perceberam queda no desempenho profissional.

Para Emanuela Mota, presidente da ABEFIN-SE e estrategista financeira, os resultados reforçam a importância de ampliar o debate sobre educação financeira e saúde emocional na região.
 

“A falta de um projeto de vida consistente e alinhado à realidade de cada indivíduo favorece o crescimento dos transtornos emocionais. A educação financeira contribui para o desenvolvimento de uma visão mais sistêmica sobre a vida e sobre o uso do dinheiro, estimulando atitudes e comportamentos financeiros mais sustentáveis. Quando as pessoas aprendem a planejar melhor seus recursos, também conquistam mais segurança, reduzem a ansiedade diante das incertezas e fortalecem sua capacidade de enfrentar os desafios do dia a dia. Por isso, promover educação financeira é também investir em saúde emocional e qualidade de vida para as famílias”, afirma Mota.


Outro dado que chama atenção é a percepção sobre o futuro. Enquanto 35,9% dos entrevistados acreditam que sua saúde mental pode melhorar nos próximos anos, apenas 20% estão otimistas em relação à própria situação financeira. Já 67,2% demonstram pessimismo ou muito pessimismo quando pensam no futuro das suas finanças.


Apesar da forte relação identificada entre dinheiro e saúde mental, quase metade dos participantes (48,5%) nunca procurou orientação de um educador financeiro. Apenas 13,1% afirmaram ter recebido efetivamente algum tipo de apoio especializado.


Para os especialistas envolvidos no estudo, os resultados apontam para a necessidade de integrar ações de educação financeira às estratégias de promoção da saúde mental, especialmente em um cenário em que as preocupações econômicas seguem impactando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar da população.
 

A pesquisa foi realizada pela ABEFIN em parceria com o Instituto Axxus e representa um dos mais abrangentes levantamentos nacionais sobre a relação entre saúde financeira e saúde mental já realizados no Brasil. Para acessar a pesquisa na íntegra, com todos os dados e informações, acesse:

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Foto: Divulgação/Internet