Para quem mantém um pequeno negócio com a venda de artesanato, doces, bolos ou outros produtos, saber produzir é apenas uma parte do desafio. Divulgar o trabalho, encontrar clientes e calcular preços também fazem diferença na geração de renda. Com esse foco, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat), realizou, nesta quinta-feira, 17, a segunda etapa da oficina ‘Empreendedorismo e Marketing’, no Centro de Artesanato Chica Chaves.
A atividade é desenvolvida em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Sergipe (Sebrae/SE) e integra o projeto MEI que Sabe. Nesta etapa, além das artesãs acompanhadas pela Fundat, também participaram mulheres que trabalham com gastronomia.
A primeira oficina ocorreu no dia 8 de setembro e apresentou conceitos de planejamento, público-alvo, organização do negócio e estratégias de marketing. No segundo encontro, as participantes retomaram esses conteúdos e avançaram no uso de ferramentas que podem ajudar na divulgação e na venda dos produtos.
Segundo a diretora de Empreendedorismo e Cooperativismo da Fundat, Cassandra Teodoro, a proposta é manter um acompanhamento contínuo dos pequenos empreendedores.
“Queremos que essas mulheres entendam melhor como divulgar seus produtos, alcançar os clientes e fortalecer seus negócios. É um trabalho de continuidade, feito em parceria com o Sebrae/SE, para que elas tenham mais conhecimento e possam tomar decisões de forma mais segura”, afirmou.
Conhecimento que pode virar renda
A oficina também reuniu participantes que estão em diferentes momentos de seus negócios. Aos 19 anos, Emilly Vitória trabalha com confeitaria e produz copos da felicidade, brownies, cake e donuts. Ela conheceu a capacitação por indicação de outra empreendedora.
Para Emilly, aprender sobre marketing é uma forma de tornar o negócio mais conhecido. “O marketing é a alma do negócio. Se a gente não divulgar, as pessoas não vão conhecer o nosso trabalho”, disse.
Ela também destacou a importância de ter acesso gratuito a esse tipo de formação. “Nem todo mundo tem condições de pagar um curso de empreendedorismo ou marketing. Ter essa oportunidade ajuda muito quem está começando ou quer melhorar o próprio negócio”, afirmou.
A confeiteira Karen Oliveira também participa de outras capacitações promovidas pela Fundat. Para ela, o aprendizado ajuda em questões que fazem parte da rotina de quem trabalha por conta própria.
“Esses treinamentos ajudam no atendimento ao cliente, na precificação, nos custos e na organização do trabalho. A gente precisa continuar estudando e aprendendo para melhorar cada vez mais”, destacou.
Durante a oficina, as participantes também tiveram contato com ferramentas digitais, redes sociais e recursos que podem ser usados na divulgação dos produtos. Para algumas artesãs, esse ainda é um campo novo. Noêmia Maria das Chagas trabalha há 21 anos no Centro de Artesanato Chica Chaves. Ela atua com crochê e pintura em tecido, tela e cerâmica. Mesmo com a experiência no artesanato, conta que ainda está aprendendo a usar o marketing digital.
“Está abrindo novos horizontes. Eu já fiz outros cursos, mas as coisas mudam e a gente precisa se atualizar. Para mim, o marketing digital ainda é novidade, mas estou querendo aprender”, contou. A participação de Noêmia exemplifica um dos objetivos da ação: aproximar mulheres de diferentes idades e trajetórias das ferramentas usadas para divulgar e vender produtos.
Parceria abre espaço para divulgação das artesãs
O segundo encontro também trouxe uma oportunidade prática. A empresária Daniela Lopes, fundadora de uma loja online de óculos de sol, apresentou uma proposta de campanha que deve incluir peças produzidas pelas artesãs do Centro de Artesanato Chica Chaves.
A ideia é usar a campanha para divulgar tanto os produtos da empresa quanto o trabalho e as histórias das mulheres que atuam no espaço. “O crochê é feito fio a fio, e a história de cada mulher também é construída assim. A proposta é mostrar os óculos, mas também valorizar o trabalho delas e ajudá-las a entrar cada vez mais no mundo digital”, explicou Daniela.
A instrutora credenciada do Sebrae/SE Mel Correia afirmou que a parceria surgiu das necessidades apresentadas pelas próprias artesãs durante a capacitação. “Elas querem que o espaço seja mais visitado e querem vender mais as peças. A partir disso, buscamos uma oportunidade que pudesse ajudar a divulgar esse trabalho”, explicou.
Segundo Mel, a participação das mulheres superou as expectativas. “Elas são muito participativas e estão com vontade de crescer”, afirmou.
A coordenadora de Grupos de Produção da Fundat, Lucia Siqueira, destacou que as ações no Chica Chaves buscam ampliar a visibilidade das artesãs e criar novas oportunidades de comercialização.
“A gente quer fazer com que essas artesãs sejam conhecidas e reconhecidas. Para isso, estamos fortalecendo o trabalho delas com qualificação, divulgação e novas oportunidades”, concluiu Lucia.
Foto: Ascom/Fundat














