Sergipe é o único estado sem presença consolidada de facções criminosas, aponta levantamento

Sergipe foi apontado como o único estado brasileiro sem atuação territorial relevante de organizações criminosas, de acordo com relatório apresentado durante o Encontro da Rede Nacional de Operações Ostensivas Especializadas (Renoe) e da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento ao Narcotráfico (Renarc), realizado em Brasília, entre os dias 23 e 26 de junho.

O levantamento, elaborado a partir de dados da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), traçou um panorama da presença de organizações criminosas em todo o país e analisou a evolução da atuação desses grupos nos estados brasileiros. O estudo identificou 31 organizações criminosas consideradas relevantes, distribuídas em 75 células estaduais, utilizando metodologia baseada em modelos internacionais para avaliar o grau de influência e territorialidade dessas facções.

Segundo o relatório, foram identificadas cinco organizações criminosas independentes, dez ligadas a uma facção originária do Rio de Janeiro e oito vinculadas a uma organização surgida em São Paulo. A presença dessas organizações foi constatada em todos os estados brasileiros, com exceção de Sergipe.

O estudo destaca que nenhuma facção atingiu, em Sergipe, os critérios mínimos de territorialidade e controle do narcotráfico utilizados para caracterizar domínio criminoso. O cenário é atribuído ao fortalecimento das políticas públicas de segurança, à integração entre as forças policiais, ao uso estratégico da inteligência e às ações preventivas desenvolvidas pelos órgãos estaduais.

Embora o resultado seja considerado positivo, o relatório alerta que o avanço contínuo das organizações criminosas pelo país exige monitoramento permanente e ações constantes para impedir a instalação desses grupos em territórios ainda não dominados.

O secretário da Segurança Pública de Sergipe, João Eloy, afirmou que o reconhecimento é consequência de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos, baseado na cooperação entre as instituições e no fortalecimento das ações de inteligência.

“Esse resultado não surgiu da noite para o dia. É fruto de um trabalho consolidado, desenvolvido ao longo dos anos pelas forças de segurança de Sergipe, com integração entre as instituições, investimentos em inteligência, capacitação e atuação firme no enfrentamento à criminalidade. Recebemos esse reconhecimento com responsabilidade, porque sabemos que a ameaça é permanente. Por isso, continuaremos fortalecendo nossas estratégias para impedir que organizações criminosas se instalem no estado”, destacou o secretário.

O reconhecimento reforça o papel de Sergipe como referência nacional no enfrentamento ao crime organizado e evidencia a importância da atuação integrada das forças de segurança para preservar a estabilidade e a segurança da população.